08 setembro 2010

O CRISTÃO, A SOCIEDADE HUMANA E O REINO DE DEUS - (Parte – III)

“Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (João 16.33).... “Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6.33)

Na Parte II destas considerações, em resposta a possíveis questionamentos quanto a votar em candidatos cristãos ou não-cristãos no próximo dia 03 de outubro de 2010 abordei o texto de Deuteronômio 17.15, que fala acerca de irmãos compatriotas (judeus) e irmãos de fé (praticantes do Judaísmo), sendo Israel constitucionalmente um Estado Confessional. 

Diante do que expus na mensagem anterior creio que, no aspecto da relação Estado/Igreja, ficam compreensíveis os textos de 1 Timóteo 2.1,2; Romanos 13.1; 1 Pedro 2.13,14; etc., que manda “que se façam deprecações, orações, intercessões... por todos os homens...por todos os que estão em eminência”; orienta que “toda alma esteja sujeita às autoridades superiores”; e determina: “sujeita-vos a toda ordenação humana”; não explicitando que tais autoridades sejam, necessariamente cristãs. 

Nota-se ainda que, nos textos acima citados (existem muitos outros mas o espaço não me permite citar todos eles), as cartas foram em primeiro plano direcionadas a um jovem líder cristão (Timóteo), aos cristãos de origem gentílica da capital do Império (Roma), e aos cristãos judeus expulsos de Jerusalém e espalhados na Ásia Menor (1 Pedro). Portanto, torna-se compreensível que esses textos sagrados tinham o foco na evangelização mundial, e não
se direcionavam exclusivamente aos cidadãos do Estado Confessional de Israel, mas sim a todos os homens, ainda que sejam cidadãos de Estados Laicos ou Ateus. 

É importante considerarmos, ainda, que o modelo de governo em Israel era teocrático (governo de Deus) com uma representação humana colocada pelo próprio Deus, como por exemplo: Moisés, Josué, Samuel, etc. Ao pedir um “rei, assim como têm todas as nações” (Deuteronômio 17.14) Israel queria transformar a teocracia em uma monarquia, que mais tarde degenerou-se em anarquia, posto que estava abrindo mão do governo divino, o que redundou em apostasia e cativeiro. 

A Igreja, ainda que se organize em Assembléias, Sínodos, Convenções, etc. deve ter o regime de governo teocrático com representações humanas postas por Deus como afirma, por exemplo, Efésios 4.11-13: “Ele mesmo[Jesus] deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo”

Portanto, constitucionalmente falando, a Igreja é uma nação teocrática e confessional cristã entre nações democráticas ou não, e confessionais não-cristãs, atéias e laicas. Somos, em síntese, uma nação inserida entre as nações com as quais temos profundos conflitos de legislações e de ideologias.
Como “embaixadores da parte de Cristo” (2 Coríntios 5.20) queremos que as nações se reconciliem com Deus. Somos cidadãos de um Reino que “não vem com aparência exterior” (Lucas 17.20) e que “não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Romanos 14.17). Portanto, como votar em alguém que se diz cristão e escandaliza o Evangelho de Cristo como, por exemplo, o “irmão” parlamentar que apropriou-se de dinheiro público e fez a tristemente conhecida “oração da propina” que tornou-se pública no início deste ano de 2010? 
Certa vez votei num “irmão” que foi eleito deputado federal. Descobriu-se, mais tarde, que ele foi o maior gazeteiro (o que mais faltou às Assembléias para discussão dos assuntos de interesse do povo) daquela legislatura. Na eleição seguinte aquele “irmão” não foi reeleito. Seu interesse era o de locupletar-se no cargo.
 
Creio sim, que devemos votar em irmãos que tenham sólida convicção de fé cristã e que, por conta disto, até se exponham pelo Reino de Deus, como o fizeram José, Daniel, Misael, Hananias, Azarias, e tantos outros do passado, e que não se submetam às “exigências” do reino humano e do reino satânico que o permeia. Por isto sou firmemente a favor de que tenhamos representantes cristãos nas casas legislativas e, se possível, nos poderes executivos nos três níveis (municipal, estadual e federal). Ressalvo que, pessoalmente, sou contrário à idéia de que um Ministro do Evangelho, com responsabilidade no pastoreio do rebanho do Senhor, deixe o
púlpito para militar na política partidária. Penso que melhor faria tal Ministro em apoiar os leigos e legítimos servos do Senhor em tal empreitada; afinal de contas não há tarefa mais nobre do que a de cuidar das ovelhas de Cristo e “se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja” (1 Timóteo 3.1). Talvez algum ministro se oporia a esse meu pensamento pessoal afirmando que os servos de Deus do passado, que citei acima, também eram obreiros. Eu responderia: Sim, eram obreiros; mas nenhum deles eram sacerdotes. Como obreiros todos foram profetas, reis e foram estadistas. Nenhum deles abandonou o sacerdócio.
 
Diante dos desafios que se nos impõe o momento político nacional precisamos, urgentemente, de homens e mulheres de Deus, em posições-chaves na política nacional, para legalmente se opor a um estado de coisas que quer se implantar em nossa nação. Por exemplo, em 21 de dezembro de 2009, através do Decreto nº 7037, o Poder Executivo Federal instituiu o Programa Nacional de Direitos Humanos-3. Com o pretexto de fortalecer a democracia, “não apenas democracia política e institucional... mas democracia também no que diz respeito à qualidade econômica e social” (citação do Presidente Lula na apresentação do Decreto), o documento institui práticas que colidem frontalmente com a postura ética, a moralidade e os bons princípios que norteiam a vida familiar, base de qualquer sociedade organizada; como por exemplo: aprovação do casamento entre homossexuais, legalização do aborto, regulamentação da prostituição, etc. Além disto, o tal Decreto abre caminhos para instalação de um Estado ditatorial onde a liberdade de pensamento pode ser punida. Isto traz sérios danos à democracia de um Estado Laico. 

O amigo leitor que ainda não é cidadão do Reino de Deus deve entregar sua vida aos cuidados do Senhor Jesus Cristo HOJE e terás a vida eterna num Reino de paz.

Deus te abençoe!
Pr. Celso de Castro Costa

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